sexta-feira, abril 07, 2023

Cadeira de baloiço

 Hoje pela primeira vez senti uma inveja enorme de não ser eu. Hoje talvez tenha sentido pela primeira vez o peso de te ter perdido para o medo. De te ter perdido para outra felicidade que não a nossa. 

Desta vez já não acredito na verdade que me moldou  metade da vida, já não acredito nela na mesma dimensão, pautada pelo propósito da criação das almas gémeas existirem. Mentiria se dissesse que não continuaria a acreditar que és o encaixe perfeito do meu coração. Aliás, temo que seja exatamente por isso que o medo e o destino de tenham encarregado de não nos juntar no famoso, para sempre. Talvez seja demasiada pretensão da minha pessoa, e um dia ainda te pergunto a tua opinião só para saber a tua resposta, mas acho que realmente sempre fomos (quase)perfeitos no que toca ao toque da alma e ao toque do corpo.  Somos nós. E seremos sempre nós. Apesar de de já não o sermos não é?


Ver-te nesse habitat que só idealizava, inevitavelmente fez-me questionar o quanto teríamos construído.. faz me vez que me perdi algures na força, confiança e segurança que todos os teus bons sentimos por mim sempre me deram, algo que nunca consegui com ninguém. 

Ainda não conseguia dizer que já não te amo. Amo-te da forma que me é possível agora, não com as mesmas intenções nem expectativas, mas amo-te, amo-te pelo que fomos e pelo que nunca fomos. Amo-te porque és o meu melhor amigo, porque contigo posso dizer as coisas mais loucas sem parecer louca. 


Talvez um dia neste mundo que é redondo nos voltemos a encontrar, sentados numa cadeira de baloiço por aí, em silêncio, apenas a recuperar todo o tempo que perdemos juntos, a sorrir com os olhos como fazíamos quando tínhamos 15 anos e já achávamos que éramos para sempre.