quarta-feira, setembro 27, 2006

sábado, setembro 23, 2006

O suficiente


- Não gostavas que tudo tivesse sido diferente?

- Gostava...

- Muito ou pouco?

- O suficiênte para poder correr atrás do tempo e dizer-lhe que Sim na hora certa, no momento exacto.

- Não percebi...

- Gostava de poder voltar no tempo. De lhe dizer tudo o que não disse, tudo o devia ter dito. De lhe ter dado todos os beijos que não pude dar e de o abraçar... Sim de o abraçar. De lhe olhar para os olhos e lhe dizer que eramos fortes, que eramos maiores que a duvida. De lhe dizer para ele nunca, nunca me deixar.
Gostava de poder voltar no tempo, para lhe mostrar tudo aquilo que agora sei melhor que nunca. Mais que antes. Que ele é aquele sabes?... Aquele que é e será para sempre.

- Pois...


Foto daqui

sexta-feira, setembro 22, 2006

Espelhos



Espelhos.
Espelhos da alma.
Do que fomos.
Do que somos.
Do que queriamos ser.
Espelhos mágicos. Encantados, ilusórios.
Espelhos meus.



Foto tirada da net

domingo, setembro 17, 2006

Será que sabes ler o meu olhar?


Olha.
Vês nos meus olhos?
Consegues ler?
Consegues ver tudo o que eles têm para te dizer?
Consegues ouvi-los a implorar pelo teu corpo?
Consegues sentir a força desta paixão?
Vês o nosso beijo? Vês...?
Vês a nossa felicidade? Vês?
Lê! Lê-me a alma!
Lê! Lê o que tenho tatuado no corpo!
Sente! Sente o teu cheiro ainda na minha pele!
Sente! Sente o meu toque, as minhas mãos, o meu peito nas tuas costas!
Ouve! Ouve o meu coração, ele chama por ti!
Ouve! Ouve a tristeza da minha alma!
Olha nos meus olhos e diz-me aquilo que não consegues...
Diz-me que não e eu acredito! Diz-me que nada sentes e eu desisto!
Diz-me! Diz-me tudo o que nunca disses-te, o que nunca foste capaz!
Conta-me histórias. Conta-me a verdade. Conta-me tudo...
Chora comigo... Nunca te vi chorar!
Vive! Vem viver ao meu lado.
Vêm... Vamos ser felizes.
Tu sabes que é possivél...
Vêm... Vamos começar do zero... Vêm...
Olha nos meus olhos e vêm...!
Será que sabes ler o meu olhar?

Eu e o novo Eu






de um novo eu...



Sim, quero começar de novo, conquistar novas pessoas e reconquistar aquelas que perdi. Mas só aquelas que mereçem.
Sim, quero começar a viver, quero deixar de sonhar com a realidade ilusória.
Amanhã quando acordar já não serei eu que escreve, serei o Eu que vive.

terça-feira, agosto 22, 2006

Esquecer-te era...


Esquecer-te era tornar a minha vida num vazio sem sentido.
Quero que me contes tudo.
Quero que me digas com quem falas, que filmes tens visto, a que praias tens ido.

Quero que partilhes toda a tua vida comigo.
Só dispenso que me contes que me substituiste.

Não seria capaz de viver sem ti, independentemente do que tu queiras e digas


Pedro Almodovar, A Lei do Desejo
Foto tirada d net

domingo, agosto 20, 2006

Saudades


Sonhei contigo...
Conosco.
Sonhei com a felicidade...
A nossa.

Sonhei...
Não passou de um sonho.
Acordei...

Com saudades tuas, nossas, minhas.

sábado, agosto 19, 2006

Cedo de mais

Assim que entrei vi-te logo. Estavas de costas mas o meu olhar parou em ti. Eras um pouco mais baixo que eu e tinhas cabelos loiros. Não te vi logo a face, mas senti-te o cheiro a tabaco e um perfume que não reconheci.
Quanto te
viraste e olhas-te para mim ao entrar, percebi, percebi eras tu. E logo eu que não acredito em amor há primeira vista, logo eu… Mas naquele instante soube que eras tu o homem da minha vida, “o tal”. Sorris-te e eu retribuo, falamos através do olhar, disse-te o meu nome em silêncio e tu disseste-me o teu. Bebias uma cola com sangria e imaginei como seria o sabor da tua boca, o cheiro da tua respiração no meu ouvido.
Estremeci. Tu também.
Fui para a pista e dancei só para ti. Tu sorrias-me com o olhar, observavas-me de longe e conseguia sentir o teu olhar a percorrer o meu corpo de alto a baixo. Quando parei e me encostei ao bar, senti-te vir, ouvi os teus passos. Ficas-te mesmo ao meu lado no bar, roças-te o teu braço no meu num gesto pensado mentalmente e senti a tua pele quente na minha que transpirava não sei se de calor se de emoção. Nada disses-te.
Olhei-te nos olhos e eram um verde, um verde com azul que eu nunca tinha
visto.
Eram lindos os teus olhos…
Amei-te desde o primeiro instante, aprendi a amar-te e tu começas-te a viver dentro de mim e partilhamos o mesmo coração durante toda aquela noite. E naquela noite tu eras o meu Romeu e eu a tua Julieta, tu o príncipe encantado e eu a Cinderella. E não havia mais ninguém para além de nós naquele bar, não havia música, só os teus olhos, não havia amigos só, o teu cheiro.
Mas acabou tudo antes de começar… alguém entrou a dizer que havia fogo e saiu tudo a correr e eu perdi-me de ti, do teu olhar e deixei de sentir o teu cheiro. Perdi-te antes de te encontrar. E tu eu sei que eras, sim tu eras “o tal”, tu era o homem da minha vida.
Conheci-te cedo demais… Perdi-te cedo demais…
E hoje imagino, reinvento-te e crio na minha cabeça como tudo poderia ter sido… E hoje sei que te amei naquela noite como nunca amei. É como naquela música do José Cid:
“É triste viver de ilusões,
mas tu foste a mais linda historia de amor
que um dia me aconteceu…”.
E volto vezes sem conta àquele bar na esperança de te encontrar, sempre em vão porque nunca te encontro. Logo tu, que eu amei tanto… E muitos me consideram louca, insana… Mas quem sabe talvez um dia, um dia nos encontraremos de novo naquele bar. E sim fui louca! É como na música:
“Fui louco, não sei, talvez
Mas por pouco, por muito pouco eu voltaria a ser louco
Amar-te-ia outra vez"





19/8/2006
Fotos daqui

Baratinhas tontas


Ás vezes acredito que o mundo não gira, mas sim as nossas vidas. Que o mundo não é redondo mas um bruto de um quadrado onde andamos todos às voltas. Sim, recrio-nos, a nos ser humanos, como baratinhas tontas, desnorteadas, há procura de coisas diferentes mais iguais. Sim, podemos comparar a nossa vida a um quadrado, a um bruto de um quadrado, onde andamos às voltas, com as antenas ligadas, desnorteados todos com a busca daquilo que pensamos querer e depois não queremos, com aquilo que julgamos querer e que depois já não queremos. Sim, posso mesmo resumir a nossa simples vida há metáfora de baratinhas tontas dentro de um quadrado. Corremos quatro cantos sempre há procura de qualquer coisa, percorrendo-os todos, como peregrinos há procura da capela certa para orar.
No final, se é que existe um final, metade de nós, digo, das baratinhas, deixam de ser tontas e acomodam-se, aprende a viver com as outras baratinhas e fingem ser felizes naquele mundo quadrado que funciona como um jogo no qual metade morre e metade morre mais tarde.
Ok, ainda há uma parcela, ínfima, de baratinhas que tentam fugir do mundo quadrado e acabam rotuladas e “baratinhas desnorteadas e malucas” e depois é ouvir falar delas nos pequeninos hospitais para “baratinhas desnorteadas e malucas” construídos há medida para as mesmas.




16/8/2006
Foto tirada da net

quinta-feira, agosto 17, 2006

Ornatos Violeta - Ouvi dizer

Ouvi dizer
Que o nosso amor acabou
Pois eu nao tive a nocao do seu fim.
Pelo que eu ja tentei
Eu nao vou ve-lo em mim
Se eu nao tive a nocao de ver nascer o homem.

E ao que eu vejo
Tudo foi para ti
Uma estupida cancao que só eu ouvi
E eu fiquei com tanto para dar
E agora nao vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva

E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma

Ouvi dizer
Que o mundo acaba amanha
E eu tinha tantos planos p'ra depois
Fui eu quem virou as paginas
Na pressa de chegar até nós
Sem tirar das palavras seu cruel sentido.

Sobre a razao estar cega
Resta-me apenas uma razao
Um dia vais ser tu
E um homem como tu
Como eu nao fui
Um dia vou-te ouvir dizer

E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma

Sei que um dia vais dizer

E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma

A cidade esta deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doenca
Quando nele julgamos ver a nossa cura

quarta-feira, agosto 16, 2006

Apetece-me


Hoje…
Hoje apetece-me reinventar-te… Criar-te como eu quero que sejas.
Hoje apetece-me deixar de ser eu… Voar, voar.
Hoje apetece-me esquecer tudo… Levitar!
Hoje apetece-me pintar… Tudo o que ouço há minha volta.
Hoje apetece-me reescrever tudo… O que ainda não escrevi.
Hoje apetece-me brincar com a lua… Dançar com o vento, rir com a chuva.
Hoje apetece-me ser homem… Matar o desejo!
Hoje apetece-me dançar… Ao som dos teus passos.
Hoje apetece-me fugir… Do mundo e de ti.
Hoje apetece-me ser cega, surda e muda… Só sentir, o toque, o cheiro.
Hoje apetece-me rasgar… A tua roupa, aquela que te dei.
Hoje apetece-me comer, beber… Beber-te, comer-te!
Hoje apetece-me não existir… Desaparecer.
Hoje apetece-me tudo… Nada.
Hoje apetece-me ler… A tua alma, o teu interior.
Hoje apetece-me sentir… As penas do meu endredom.
Hoje apetece-me dormir… Sobre tudo, sobre todos, nas nuvens.
Hoje apetece-me ser alguém… Ou ninguém!
Hoje apetece-me contrariar… O universo, as leis cósmicas, Deus.
Hoje apetece-me assim… esta forma de apetecer!




16/8/2006

terça-feira, agosto 15, 2006



- É estranho não é?

- O quê?

- Como, por vezes, quando o pior acontece, não enlouquecemos, apenas desligamos...


( Josie Lloyd and Emlyn Rees, in Novamente Juntos )

segunda-feira, agosto 07, 2006

Goodbye my love...



Fumo cigarro atrás de cigarro, na esperança vã que o fumo leve tudo o que não quero sentir. Olho para o mar e imagino-te aqui, sentado comigo na areia fria desta praia quase deserta. Tenho-te na minha cabeça como se fosse impossível tirar-te de lá.
Penso em tudo, nos meus supostos amigos que perdi quando desci para a praia.
Mas, não os terei perdido antes?
Penso em ti... sinto-te a falta, desejo-te entre as lágrimas que caem dos meus olhos.Perdi tudo. Os sonhos, a ti, os amigos.
Não tenho nada...
Esta praia parece-me pequena sem ti, tu que me fizeste acreditar e sonhar. Fechei o meu coração para tudo e todos, só te guardei a ti a pensar que um dia voltarias e tudo o que sinto seria esquecido.
Por ti esqueceria tudo, morreria!
A Lua faz-me companhia e diz-me que talvez haja tempo e lugar para nós. Não acredito. Já te perdi vezes demais, já perdi tudo vezes demais.
E hoje sei, que eu tinha razão e a Lua não.
Quando se perde tudo, não há nem tempo nem lugar para nós...

4/8/2006


I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to be
I've seen you cry, I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you, I swear that's true.
I cannot live without you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
I'm so hollow, baby, I'm so hollow.
I'm so, I'm so, I'm so hollow.

Goodbye My Lover
James Blunt

sexta-feira, julho 28, 2006

Mar de emoções


Assim que chegou enterrou os pés na areia. Fechou os olhos e sentiu a brisa a bater-lhe na cara. Cheirou aquele cheiro a mar que tanto adorava e foi em direcção à beira-mar.
Estava maré baixa e a praia deserta, comparou a praia há sua vida: deserta. Desde que ele se tinha ido embora tudo ficou deserto, todos os sentimentos se perderam num turbilhão, todos os momentos se perderam num vendaval e tudo o que ficou dito desapareceu, só restou a dor e a vontade de mudar tudo, construir uma máquina do tempo e voltar atrás.
Recordou os seus olhos... Lindos! O cheiro do cabelo, o encaracolado, as mãos... Recordou cada poro da pele dele, cada cheiro que ele tinha, lembrou-se de todas as expressões dele, principalmente do sorriso.
Recordou todas as promessas, todos os planos, todos os momentos daquele amor maior que o mar...

Chorou.

Durante muito tempo ficou ali imóvel, sem saber o que fazer, sentindo uma mão cheia de sentimentos, ora felizes, ora tristes. Sentia tanto a falta daquele ser que lhe encheu os dias durante tanto tempo, tinha saudades de ser amada como só ele sabia ama-la, tinha vontade de o abraçar, de lhe ver os olhos e beijar a boca. Saudades de lhe sentir o cheiro do cabelo quando lhe dava beijinhos no pescoço, dos abraços fortes onde lhe pedia em silêncio que nunca a deixa-se.
Sem saber o que fazia, ou talvez com a maior da lucidez foi de encontro ao mar. Estava frio, não havia muitas ondas, apenas uma ondulação. Encheu-se de água até aos tornozelos, depois aos joelhos, cintura, peito até que ficou submersa, a sentir-me rodeada por todos os lados, por todos os orifícios do seu corpo. Tremia de frio, começou a chover. O céu ficou cinzento e as nuvens uniram-se como que para ver o espectáculo.
Debaixo de mar, fechou os olhos. Imaginou-o uma última vez, o ultimo beijo e beijou o mar como se fosse ele. Entregou-lhe o corpo e a alma, num gesto de desespero. Já não sentia frio, e as gotas da chuva já nem as sentia. Lentamente sentiu-se levar... A ultima coisa que viu foi o seu rosto, antes de adormecer, de se entregar...

... Sorriu


Foto: Anacanela

sexta-feira, julho 21, 2006

Quando A Chuva Passar


Pra que falar?
Se você não quer me ouvir
Fugir agora não resolve nada

Mas não vou chorar
Se você quiser partir
Às vezes a distância ajuda
E essa tempestade um dia vai acabar
Só quero te lembrar
De quando a gente andava nas estrelas

Nas horas lindas que passamos juntos

A gente só queria amar e amar

E hoje eu tenho certeza
A nossa história não termina agora
Pois essa tempestade um dia vai acabar
Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela e veja: eu sou o sol
Eu sou céu e mar
Eu sou seu e fim

E o meu amor é imensidão


Ivete Sangalo


Foto tirada da net

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terça-feira, julho 18, 2006

Contar estrelas



Lembras-te daquela noite em que contamos estrelas debaixo do teu guarda-chuva azul e branco? Chovia muito, a cidade estava deserta e o odor da chuva pairava no ar. Não se viam carros na rua, nenhum animal a remexer no lixo nem se ouvia barulho, só o das gotas grossas e frias que embatiam no guarda-chuva e nos vidros dos carros, das casas. Era delicioso sentir o frio, e logo eu que adoro o frio, era bom sentir as gotas na cara, mas o melhor era sentir o teu braço há volta das minhas costas para te aqueceres.
Naquela noite contamos a estrelas debaixo do teu guarda-chuva azul e branco, fizemos promessas e pedimos desejos às estrelas cadentes que víamos passar. Naquela noite o som da chuva era a minha música preferida e o teu abraço aquecia-me mais que qualquer aquecedor, ar condicionado ou cobertor. Naquela noite dançamos há chuva, uma dança só nossa que muitos considerariam louca pelos gestos desalinhados que fazíamos. Naquela noite o mundo parou só para nós, o tempo parou só para nos ver dançar e as estrelas riam de nos e do nosso amor. A Lua essa, escondia-se entre as nuvens tímida sonhado também com um amor assim, como o nosso. Naquela noite, debaixo daquela chuva, o mundo sentiu ciúmes de nós, por nos amarmos assim, por nos entregarmos assim, por nos beijarmos e tocarmos assim.
Depois daquela noite nada foi igual, tinha sido como um pacto, tinha reforçado aquilo que sentíamos e o principal, tínhamos mostrado ao mundo inteiro o que nos unia, o quando nos gostávamos e desejávamos e que nada, nem essa traiçoeira força que nos move, a que chamam destino, poderia impedir-nos… Depois daquela noite tudo foi diferente e no final só a lembrança de uma noite debaixo de chuva onde nos amamos como nunca ficou, o resto o destino levou, apoderou-se de nós e o inevitável aconteceu.
Não, o amor não acabou, esse nunca vai acabar, porque foi único, foi só nosso, ficará para sempre. O que nos afastou foi a vida, o destino, o inevitável, aquilo que acontece e temos de aceitar porque mais nada podemos fazer.
Perdemos os momentos, mas o amor esse, ficará para sempre, porque um amor como o nosso nunca morre, adormece, alimenta-se dos sonhos e memórias que guardamos e fica guardado naquele cantinho para quando surgir uma outra noite de chuva podermos contar estrelas debaixo dum guarda-chuva qualquer e pedir desejos ás estrelas.



Foto tirada da net
19/7/2006

segunda-feira, julho 17, 2006

Palavras soltas


Queria contar-te uma história, daquelas com um final feliz, cheia de amor. Mas não sei nenhuma… perdi-as todas quando me apaixonei por ti.
Queria dizer-te mais que palavras… mas não sei dizer mais nada, nem falar outra língua se não a dos homens, aquela que tu me ensinas-te.
Queria poder ser uma borboleta para te pousar no ombro, para poderes olhar para mim, para eu poder sentir o teu cheiro e ver-te mais uma vez, uma ultima vez…

Ahhh…!

Como eu queria ser tempo para poder fazer tudo voltar a traz.
Como queria ser vento, chuva e mar, só para te acariciar dum jeito que nunca ninguém será capaz. Como eu queria… Queria!

Queria poder dançar contigo uma dança que nem eu sei! Passear contigo de mãos dadas à beiro do rio, ouvir o som da tua gargalhada…
Como eu queria ser o teu tudo e o teu nada, como eu queria ser o teu sim e o teu não.
Mas tudo o que quer, tudo o que grito e sinto não passam mais do que palavras soltas que tu nunca irás apanhar...

Ahhh…!



Foto tirada da net
5/6/2006

quarta-feira, julho 05, 2006

Nós dois


Lá fora o vento batia forte e as gotas de chuva começavam a cair. Era noite, já estava escuro e no céu as estrelas escondiam-se a traz das nuvens.
Fechei a janela e regressei à sala quente e confortável onde tu dormitavas no sofá perto da lareira. A TV desliguei-a quando entrei e o teu rosto iluminado pela luz do fogo tornava-te ainda mais bonito. Sentei-me na cabeceira do sofá e murmurei-te baixinho ao ouvido: “Ficas lindo assim…”. Dei-te um beijo na boca e estremeces-te abrindo os olhos cheios de sono. Disseste-me “Olá” e perguntas-te as horas. Disse-te que era tarde e que devias vir para a cama. Como resposta apertaste-me forte e impeliste-me a deitar contigo no sofá que mal dava para uma pessoa. Sussurraste-me ao ouvido que me amavas e o mundo parou para me sentir a mulher mais feliz do mundo, só por te ter comigo.
E ali ficamos os dois, no sofá, presos um no outro a olhar para o fogo que se consumia, a ouvir cair lá fora a chuva e a observar através da vidraça, as arvores a baloiçar lá fora de um lado para o outro, acreditando que aquele momento fosse para sempre.



2005