quarta-feira, outubro 11, 2006

Sonhei contigo esta noite.

Já tinha saudades confesso… A alguns meses que não sonhava, principalmente contigo. Acho que a minha mente desligou no dia em que me pediste para te dar um tempo e voas-te para o outro lado do mundo há procura de respostas.
No sonho tudo era perfeito. Como antes… Não havia pedidos de tempos nem duvidas parvas que teimavam em confundir-nos a alma.

No sonho ainda me abraçavas e beijavas o pescoço quando eu menos esperava e quando eu mais queria…. No sonho ainda me chamavas linda e dizias que eu era tudo, ainda me dizias que querias ficar comigo e que mais ninguém importava, dizias que gostavas de mim e que só pensavas em mim. Fazias-me sentir segura e confiante…

Mas afinal, tudo não passou de um sonho não é? E tu não me podias deixar continuar sonhar? Tinhas logo de ir para o outro lado do mundo e inventar uma desculpa esfarrapada para ires embora, para me expulsares da tua vida, para me magoares…? Dói cá dentro quando penso em nós, mas dói muito mais saber que tudo podia ter sido diferente, se tu não fosses um puto mimado que quer ter tudo ao mesmo tempo e que tem medo do futuro, que se recusa a fazer opções e no fundo no fundo, nem sabe o que quer.

Tudo tinha sido diferente se não me tivesses prometido tanta coisa, prometido que não me ias magoar nunca, que não me desiludirias, que sempre havias de gostar de mim, que quando menos esperasse me surpreenderias. Na verdade é que surpreendes-te e tudo o resto prometeste e não cumpriste. E deixas-me agora na incerteza. Será que vais mesmo cumprir as tuas promessas, não hoje, nem amanhã, mas quem sabe um dia? Ou foram apenas promessas que nunca pensaste cumprir e que à partida não irias cumprir?

Ainda te sinto a andar pela casa, as coisas que deixas-te no fundo do armário como que a inventares um r
egresso, que ambos sabes que não vai haver, a tua pasta de dentes na casa de banho e o frasco de perfume quase vazio no teu lado da cama. Ainda te sinto de noite ao meu lado, o teu cheiro e a forma como o teu peito descia e subia com a respiração. Agora está apenas um vazio, que as almofadas preenchem para que não me sinta sozinha e acredite por breves instantes que ainda ali dormes ao meu lado e que nada mudou, que aquele sonho bom que sonhei é a realidade, e a minha vida e a tua partida apenas o sonho.

Mas ainda sonho, ainda sonho contigo, ainda sonho com os nossos momentos passados e os talvez futuros. Ainda sonho com os teus abraços, os teus beijos, o teu toque, as tuas brincadeiras, as tuas palavras, os teus olhares... Ainda sonho a todo o instante, acordada ou a dormir. E em cada lugar que me lembra de nós as borboletas ainda esvoaçam, ainda as sinto, cada vez que penso em ti, cada vez que te vejo, cada vez que te recordo na esperança que não passes a ser recordação para sempre, e porque as borboletas não mentem e porque pior do que não ver é ver e não ter, mas pior é não poder sentir…

É como se o meu mundo andasse sempre á tua volta. Toda a minha vida começou contigo e há-de acabar c
ontigo, ou não seria uma vida, seria um conjunto de acontecimentos, uma forma de sobreviver a esta tua ausência. Sim realmente tudo começou contigo e no dia que te encontrei no meio da multidão e me apaixonei por esse teu ar de miúdo intelectual. O problema é que te amei demais, te dei demais e tu deixaste, e hoje estou aqui deitada nesta cama vazia a pensar onde andarás tu e se estarás a perder-te no corpo de uma Maria ou Catarina qualquer na ânsia de matares a sede que tens de viver.

Será que a sede que tens de viver te chega? A sede de aproveitar tudo e viver a vida. Será que isso te chega e satisfaz? Ou não? Será que é isso que queres ou não sabes? Eu sei infelizmente há quem não saiba. Sei aquilo que sou, aquilo que quero, aquilo que não quero, ao contrário de ti. Só não sei porque é que aquilo que quero não é aquilo que tenho e será que vou voltar a ter? Pena eu ser tudo mas não ser aquilo que queres, pelo menos é o que parece.

E vou bebendo as lágrimas que caem dos meus olhos, vou (sobre)vivendo neste mundo de loucos, vou reinventando uma vida sem ti e vou sofrendo com a tua ausência, ansiando pelo dia em que a nossa história se resolva, em que tu deixas de ser esse miúdo mimado e eu pare de sonhar contigo e perceba que a realidade é que tu fugiste para lugar incerto e talvez nem por um bocadinho penses em mim e meu me canse de esperar e aprenda a ser feliz, de novo, sem ti.




Mafalda e Helena
11/10/2006

Fotos de DevianArt

3 comentários:

Å®t_Øf_£övë disse...

Pois é... os sonhos, sempre os sonhos.
Muitas vezes é como dizes, era preferivel que os sonhos fossem a realidade, e a realidade fosse os sonhos, mas infelizmente nunca é assim, por isso, em minha oponião só vale a pena darmos valor aos sonhos se sentirmos que os podemos tornar reais, porque se assim não for, todos os nossos sonhos se podem materializar em ilusões, e mais tarde em pesadelos.
Bjo.

almaqueabsorveaslagrimas disse...

Levei muitos anos a dar valor a todos os meus sonhos. há os sonhos futuros, os sonhos presentes e os sonhos passados. E realmente quase sempre se repentem.
Quando se sonha com aquela pessoa nos deixou é a certeza que ela pode ter ido embora mas nunca saiu do teu coração. ;)
beijo*

Trequita disse...

pois eu levei algum tempo a aprender que este tipo de sonhos só nos impede de ver a realidade... não te fiques a lamentar, pensa antes que se ele partiu é porque tu mereces mais e melhor :) bjokitas